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Doutorado em Engenharia Florestal da UFPR tem primeira tese em inglês

 

Tainise durante a pesquisa (fotos arquivo pessoal )

Tainise durante a pesquisa (fotos arquivo pessoal )

O curso de Doutorado em Engenharia Florestal da Universidade Federal do Paraná registrou nesta semana sua primeira defesa de tese em inglês em mais de 50 anos de história. A doutoranda Tainise Vergara Lourençon apresentou sua pesquisa “Fractionation of kraft lignin and potential value-added applications” no dia 19 de fevereiro.  Como o curso incluiu uma passagem de seis meses pela instituição Technical Research Centre of Finland, da Finlândia, num processo que se chama doutorado sanduíche,  foi feita a opção por escrever todo o trabalho em língua inglesa. “Decidimos, com aval do programa de pós-graduação, que a escrita da tese seria em inglês, para aumentar a visibilidade do trabalho, do programa e consequentemente da UFPR. Além disso, os artigos provenientes da tese visaram publicações internacionais, fazendo com que a escrita em inglês fosse mais coerente”, explica Tainise.

A tese, que teve como orientadora a professora Graciela Ines Bolzon de Muniz, atual vice-reitora da UFPR, e como co-orientadores Luiz Ramos (UFPR) e Washington Magalhães (Embrapa Florestas), aborda a Lignina, componente da madeira que é extraído no processo de produção de celulose e papel. A Lignina é gerada como um resíduo e utilizada para produção de energia interna das indústrias. Não é pouco: o Brasil é o segundo no ranking mundial de produção de celulose. No entanto, segundo a tese, esse material apresenta uma estrutura química interessante para ser utilizado em aplicações que não sejam somente sua queima. Um exemplo do potencial é que poderia substituir produtos que hoje são de origem petroquímica, como plásticos, resinas e carvão.

Como a recuperação desse material ainda traz algumas limitações para que novas aplicações sejam alcançadas, a tese de doutorado desenvolveu uma metodologia para fracionar o produto de maneira a se obter ligninas específicas, com propriedades conhecidas e controladas, capazes de potencializar suas aplicações. Além disso, esse estudo indicou potenciais de aplicação, como para uso em defensivos agrícola, antioxidantes (utilizado em alimentos, embalagens, cosméticos) e ainda aborda a utilização de lignina de eucalipto como substituinte de fenol em resinas Fenol-Formaldeído (FF), que são derivadas de petróleo.

Madeira, o chamado Licor negro e lignina recuperada em forma de pó (foto Tainise)

Madeira, o chamado Licor negro e lignina recuperada em forma de pó (foto Tainise)

A lignina de eucalipto apresenta uma estrutura química não indicada para esse tipo de resina, então esse foi o maior desafio dessa etapa do trabalho. Essas resinas FF são utilizadas nos mais variados ramos (automotivo, aeroespacial, construção), mas principalmente no ramo madeireiro (painéis compensados, aglomerados). Então, substituir o fenol de origem petroquímica por um recurso natural e renovável é de grande interesse, ainda mais que o custo dessa lignina está estimado na metade no valor do fenol.

“Com o trabalho foi provado que a lignina kraft de eucalipto tem, sim, potencial para ser utilizado em resinas FF. Tal resultado é de grande interesse e bastante vantajoso para o Brasil visto que a matéria-prima utilizada aqui pelas indústrias de celulose e papel é 86% de eucalipto”, explica Tainise.

Além disso, o estudo apresentou um método simples e barato de fracionamento e indicou potenciais de aplicação dessa lignina que ainda é pouco explorada e pouco utilizada comercialmente. A partir dos resultados apresentados, outros desdobramentos e investigações poderão ser realizados tendo como base a tese desenvolvida.

Como resultado das pesquisas realizadas ao longo da tese, Tainise foi convidada para trabalhar como pesquisadora na Aalto University, na Finlândia, no tema de valorização de lignina.

(Por Simone Meirelles/Sucom/Agrárias)

 

 

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